Capitã Marvel – Feminismos ou porquê uma super-heroína recém apresentada precisa ser assim ou assado

Capitã Marvel
Capitã Marvel/Marvel/Divulgação

Capitã Marvel é o primeiro filme de uma super-heroína dos estúdios Marvel e, também é o primeiro longa da companhia co-dirigido e roterizado por uma mulher, Anna Boden. Trata-se de uma história de origem no MCU (Marvel Cinematic Universe), e logo de cara já podemos perceber que ele é diferente de qualquer outro já feito pelo estúdio. A começar pela forma como a história nos é apresentada. Em ordem não-cronológica, de início in media res.

Talvez isto, ou o fato de ter uma mulher que contorna alguns padrões pré-estabelecidos como personagem principal de um longa num momento tão importante para a franquia, tenha irritado alguns homens despreparados para ver um ser feminino como protagonista de algo que lhes é querido. Não bastante, a personagem também é responsável pelo futuro dos Vingadores.

O longa inicia sua narrativa apresentando Veers, uma guerreira Kree, que atua em um esquadrão de extermínio aos skrulls. Sem memória alguma, seu passado é desconhecido e, conforme ela vai descobrindo suas lembranças, nós vamos acompanhando o processo de (re)conhecimento de si mesma. Este passado, nos é apresentado por meio de flashbacks que instigam o público a ir montando o quebra-cabeças da história de Denvers lado a lado com a personagem.


Capitã Marvel/Marvel Studios/Reprodução

A polêmica em torno de Capitã Marvel surgiu após uma declaração da atriz que protagoniza o filme, Brie Larson. Em uma coletiva de impressa, ela foi questionada a respeito da importância da inclusão de mulheres como críticas de cinema. A atriz respondeu que as críticas também deveriam ser feitas pelo público alvo do longa, as próprias mulheres. E que, de fato, para ela não importava a opinião de “um homem branco quarentão” sendo que este filme não foi feito para ele.

Muito foi dito sobre o assunto, muitos acusam o filme de “não ser representativo o suficiente”, como se a tal da representatividade fosse uma questão de números. Muitos “quarentões” se incomodaram em não conseguir sentir empatia pela heroína e a acusam de “antipática” e dizem faltar mais carisma, não se cansam comparar as duas únicas referências que temos com tais proporções: Capitã Marvel X Mulher Maravilha. E são essas coisas que eu gostaria de comentar.

A tal da representatividade

Uma coisa precisa ser dita de uma vez por todas, Capitã Marvel não tem o dever de representar todas as mulheres do mundo, simplesmente porque isso é impossível. Existem inúmeros super-heróis nos filmes que conhecemos, com personalidades diferentes, com arquétipos diferentes, com corpos diferentes, de origens diferentes com os quais os homens podem se identificar. Isto aconteceu até então porque a produção de filmes atende uma demanda de mercado que até pouco tempo era restrita ao universo masculino, restava para as meninas ou se identificarem com esses heróis ou com os objetos femininos que eles criavam. Nunca antes havia sido colocado nas telas uma super-heroína tão real que pudesse despertar a empatia de milhares e milhares de garotas. E este é só o começo.

Caminhamos à passos lentos

Ainda assim, caminhamos à passos lentos. O mercado não tem a intenção de revolucionar as estruturas bases da nossa sociedade, justamente porque ele depende desta estrutura para existir. A Marvel ou a DC dependem desses milhares de homens que até pouco tempo sustentavam o público dessas produções. Não estou dizendo que não existiam meninas que se interessassem por esse universo, mas precisamos concordar que nós não éramos o público alvo das franquias. Com o avanço do movimento de mulheres ao redor do mundo, as demandas para este público têm crescido. E o que esses estúdios têm feito é atender a esta demanda, só que tomando todos os cuidados para que seu público masculino permaneça.

Simone de Beauvoir já caracterizava a humanidade como masculina, porque, segundo a autora, o homem define a mulher não como um ser autônomo, mas em relação a ele, como ele decide que seja, o homem seria o sujeito em si e ela o Outro. Esta caracterização se evidencia nas várias polêmicas em torno da Capitã Marvel e também em críticas que tentar ditar que a personagens deveria ser assim ou assado.

A presença de mulheres em toda a produção do longa reflete diretamente em como as personagens femininas foram retratadas. Diferente do que acontece com a Mulher Maravilha, Denvers é durona e retraída. Ela não tem necessidade de ser simpática, sorridente e amigável o tempo todo e talvez, estas características, aos olhos de muitos homens, tenham sido tomadas como uma “dificuldade de desenvolver vínculos com a personagem”. Mas nós, mulheres, não necessariamente somos assim, essa é a maneira como a sociedade com bases patriarcais quer que sejamos. Carol (ou Denvers, ou Veers) não vai salvar o mundo “com amor” como Diana Prince afirma, ela vai fazer o que precisa ser feito e fim.

Capitã Marvel/Marvel Studios/Reprodução

Por fim, esse desejo por uma excelência num filme de origem de uma personagem parece muito injusto. Basta olhar para outros filmes de origem do MCU, como O Incrível Hulk, Thor ou Doutor Estranho que são filmes medianos. Não são incríveis, mas também não são ruins. Eles cumprem sua função dentro da construção da narrativa e isso parece bastar. Por quê com a Capitã Marvel seria diferente?

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