Brightburn: Filho das Trevas | Crítica

Brightburn: Filho das Trevas/Sony Pictures/Reprodução

O que aconteceria se alguém com a mesma origem do Superman fosse uma ameaça para humanidade?

A premissa do longa produzido por James Gunn é clara: subverter o gênero de filmes de super-heróis e transformá-lo em uma narrativa de “super-vilão”/terror/suspense. A história acompanha um casal, Tory (Elizabeth Banks) e Kyle (David Denman) Bryer, que está tentando ter um filho, mas isso só acontece quando uma nave alienígena cai e lá dentro eles encontram um bebê.

No entanto, quando a criança completa 12 anos de idade, ela começa a desenvolver algumas habilidades que a fazem perceber que é diferente das demais. E, ao invés do ‘garoto de ouro’ que o filme apresenta em seu início por meio de fotos e prêmios de aluno exemplar, vemos um Brandon Bryer (Jackson A. Dunn) desenvolvendo um profundo ódio pela humanidade.

Infelizmente, Brightburn: Filho das Trevas não se aprofunda tanto nas camadas de narrativa e entrega um produto baseado em jumpscares toscos e previsíveis com motivações mal resolvidas. O enredo coloca a transformação do garoto como resultado de bullying e mal comportamento infantil, enquanto o seu lado sombrio, que motiva as várias violências cometidas, não é desenvolvido. Seria mais interessante se esta mudança fosse algo gradual, explorando as consequências de um período turbulento, no qual o ‘herói’ acaba descobrindo sua verdadeira origem e, partindo de incertezas e inseguranças, a questão a respeito de quais seriam as consequências de tanto poder concentrado nas mãos de alguém pudesse ser desenvolvida.

Elizabeth bank vive Tory Bryer em Brightburn: Filho das Trevas.
BrightBurn: Filho das Trevas/Sony Pictures/Reprodução

Apesar do esforço das atuações, o roteiro transforma as pessoas ao redor de Brandon em meros motivadores para questionamentos morais e não em personagens completos propriamente. Os pais, por exemplo, enfraquecem a potência de uma premissa que poderia ser surpreendente, a mãe é capaz do inimaginável para proteger o filho, mas sua pulsão se resume apenas a isto. Mesmo o pai, que parece ser o elemento mais sensato diante dos acontecimentos da cidade os quais acabam se ligando ao filho adotivo, não é coerente em suas ações. Por exemplo, no primeiro ato, Kyle lembra Tory que Brandon nunca havia se ferido antes, mas no final da segunda parte do longa, o personagem leva o filho para uma caçada na floresta e, na tentativa de acertá-lo com um tiro de espingarda, acabar morto pelo garoto.

Apesar destes problemas, Brightburn acerta e diverte no terror slasher e na ilustração gráfica da violência, tornando a experiência mais imersiva na medida em que a experiência do que seria um corpo humano sofrendo os efeitos de poderes sobrenaturais se aproxima do público. Já a direção de David Yarovesky, ainda que precária, encontra soluções criativas para disfarçar um CG de baixa qualidade. O longa brilha nos momentos que retrata as habilidades de Brandon com sutileza, investindo em planos que não destacam tanto os efeitos, e também na hora de demonstrar sua capacidade destrutiva.

A cena final de destruição da casa e acobertamento das mortes causadas por Brandon até pode ser previsível, mas inova visualmente. Exemplo disso é que para demonstrar a rapidez do personagem principal, ao invés das típicas cenas em slow motion, as imagens não nos permitem visualizar por completo os movimentos do menino, apenas vislumbres deles, o ritmo é afiado e não deixa o espectador ficar preso ao cenário sem graça e sem muito propósito. A família mora em uma fazenda no Kansas, mas parece não encontrar muita produtividade financeira para o lugar que acaba se deteriorando com tempo.

Ainda, os paralelos com O Homem de Aço até poderiam servir como pano de fundo para uma compreensão total do enredo se não fossem mal aproveitados. O Superman chegou num Kansas pós década de 1930, num período de instabilidade deixada pela Grande Depressão, por isso, o herói é um símbolo de esperança para a população. Brandon vive num Kansas também economicamente frágil, a própria fazenda dos pais ilustra isso. Mas aqui, ele é associado à destruição, ao horror e à desesperança.

Com tantas camadas que poderiam ter sido exploradas para tornar Brightburn um filme memorável é uma pena que ele não atinja o máximo de sua capacidade. Mas ainda assim, Filho das Trevas diverte pela originalidade em abordar as habilidades do ‘herói’ e pode até mesmo nos deixar imaginando outras versões sombrias para os inúmeros super-heróis que conhecemos.

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