Homem-Aranha: Longe de Casa | Crítica

Homem-Aranha: Longe de Casa
Homem-Aranha: Longe de Casa/Marvel/Divulgação

Tom Holland cresce no papel de Peter Parker em uma sequência de ‘Homem-Aranha’ que gira em uma teia de ilusão, provando que o MCU pode decolar depois dos Vingadores.

Como o primeiro filme do Universo Cinematográfico Marvel a ser lançado após o final da saga dos Vingadores, Homem-Aranha: Longe de Casa consegue testar uma questão crucial da cultura blockbuster: como é assistir um filme da Marvel em um mundo pós-Vingadores? Ainda existe alguma coisa em jogo?

Algumas vezes, isso foi possível (Homem de Ferro, os dois primeiros filmes do Capitão América, Pantera Negra), mas tudo levava a um ponto comum, uma história central que culminou no fim da civilização. Tem a ver com essa química misteriosa e difícil de engarrafar da audiência e do super-herói – o fluxo do conceito de ator, personagem, mitologia à medida que eles se fundem e navegam em um universo de excitação hermética que enche os olhos ampliando a perspectiva. Nesse ponto, Longe de Casa dá um salto quântico – ou talvez apenas um swing de aranha – em relação ao primeiro filme de Peter Parker no MCU, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, de 2017, e responde algumas questões que ficaram abertas com os acontecimentos de Ultimato.

A chave para o apelo do novo filme, além do fato de que Tom Holland age com muito mais confiança e entusiasmo no papel principal, é que o filme inteiro soa um pouco falso, e eu quero dizer isso de uma forma muito positiva. Acontece uma boa reviravolta, mas o que ressoa é que ela permite que o longa brinque com a questão do que interessa em um filme de super-heróis.

Peter, agora com 16 anos, embarca em uma viagem da escola para a Europa. É um passeio educacional por vários locais clássicos, e ele está ansioso para se aproximar de MJ (Mary Jane?), interpretada por Zendaya. A atriz é boa o suficiente para usar da atitude da personagem como armadura. Com ela, nós conseguimos perceber o quanto se afasta para se manter segura. A viagem de avião até Veneza é um espetáculo de filme adolescente à parte. Peter, sentado a algumas fileiras de MJ, tem que vê-la se conectar com Brad Davis (Remy Hii), um garoto de sua classe que envelheceu cinco anos por conta do assassinato de metade da raça humana, e a reintegração com cinco anos de diferença. Ele é agora um cara rasgado e bonito que se tornou o rival de Peter para os sentimentos de MJ.

Homem-Aranha de Tom Holland e Zendaya, em Homem-Aranha: Longe de Casa.
(Fonte: Marvel/Divulgação)

No fundo, se trata de um filme adolescente, assim como a piada exagerada de um nerd brincalhão como Ned (Jacob Batalon) e Betty (Angourie Rice) chamando um ao outro de “bebê” no final da viagem de avião. Mas, ao mesmo tempo, este é o clima do Homem-Aranha, todos os conflitos em torno da narrativa deste herói giram em torno dele conseguir conciliar a vida de super-herói com uma vida normal. E, aqui, a viagem com a escola, é tudo o que Peter deseja, pois ele ainda está lidando com a perda de Tony Stark.

O elemento que impulsiona os acontecimentos é o presente que Park Herdou de Stark, seus óculos escuros que, quando são colocados, falam com você em uma voz Siri chamada Edith. Com o objeto, o herói é capaz de comandar uma inteligência multi-rastreada de um sistema de bilhões de dólares. Quando Peter, em um ato semi-inadvertido de agressão passiva, usa Edith para invocar um drone para atacar Brad durante uma viagem de ônibus, é uma piada letal, mas é também um sinal de quão poderosa Edith é.

Em Veneza, Peter e seus amigos do colegial são confrontados com o que é exibido como vilões apocalípticos, criaturas conhecidas como Elementais, que vêm de outro mundo, ou dos elementos (ou algo assim), e levam a forma de um monstro aquático feito inteiramente de ondas que se levantam dos canais verdes da cidade e destroem tudo ao seu redor, e depois, em Praga, uma espetacular besta de fogo rugindo que se parece com a espetacular besta de fogo rugindo que nós já vimos em uma dúzia de outros filmes.

Então, surge um novo herói: Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), um malvado lutador de olhos de águia que usa um capacete em forma aquário (ou talvez um globo de neve) cheio de gás. Quentin dispara uma confusão de raios verdes que parecem o efeito visual mais impressionante de 1982, e depois que Peter e seus amigos o apelidam de Mysterio (baseado em notícias italianas sobre suas façanhas), o herói adota o título. Há um momento tocante entre os dois quando Peter pede a Quentin que experimente os óculos de Tony, e o mais velho dos criminosos, com a barba e o sorriso ríspido, de repente demonstra uma bizarra semelhança com Tony.

Quentin, na verdade, não é bem o que parece, mas esta é uma reviravolta rotineira. O verdadeiro plot twist é que, na realidade, Homem-Aranha: Longe de Casa, não é o que parece. Peter, que tenta esconder o fato de que ele é o Homem-Aranha, vestindo uma versão ninja preta de seu traje (inspirando os europeus a chamá-lo de “Macaco da Noite”), está lutando contra um truque de mágica maligno. É como se ele estivesse em uma matriz da qual ele tenha que se desconectar e quando o faz, o filme brincar com o espectador mostrando inúmeros movimentos de câmera, figurinos, telas verdes, heróis pendurados em cordas e, de certa forma, expõe a essência fantasiosa do cinema de super-heróis. Mysterio, sob seus poderes, acaba por ser uma espécie de feiticeiro dos efeitos visuais. Isso é uma meta declaração sobre o gênero ou apenas uma maneira legal de puxar o nosso tapete?

Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), o Mysterio, em Homem-Aranha: Longe de Casa.
(Fonte: Marvel/Divulgação)

Seja o que for, o longa conseguiu surpreender e subverter o próprio gênero, incluindo novas maneiras de apresentar histórias adolescentes. O mais recente filme Homem-Aranha, o animado Homem-Aranha: No Aranhaverso, foi uma peça de arte pop de ponta, e há momentos em que seu espírito brincalhão e em camadas ecoa no longa pós-vingadores, ainda que de maneira sutil. No entanto, o diretor, Jon Watts, retornando de Homem-Aranha: De Volta Pra Casa, não apenas refaz a dramaturgia de voo web pegajosa padrão, ele coloca o Homem-Aranha contra um exército de ilusão, um espelho multidirecional controlado por um botão.

Existe falha lógica inerente à premissa (a destruição real está sendo feita? E se sim, como?). Ainda assim, o filme faz você passar por ela. A performance de Gyllenhaal, que começa um pouco idiota, se transforma em uma sátira incrível, e apesar de Holland, em seu jeito juvenil, interpretar Peter instintivamente, a história do herói que tem dúvidas sobre sua capacidade de viver de acordo com o papel que Nick Fury (Samuel L. Jackson) escolheu para ele, é capaz de evoluir para um conflito interno genuíno, fazendo com que o garoto cresça muito mais rápido do que ele gostaria.

Onde Homem-Aranha: Longe de Casa fica na escala dos filmes do herói?

É mais urgente do que o último (e deve ser ainda maior nas bilheterias), com um vilão muito mais rico e consistente, o herói adolescente de Holland – inábil, ingênuo, romântico e despreparado – está vivo por dentro de uma forma que o Peter de Andrew Garfield nunca foi. No final, esse Homem-Aranha realmente encontra seu senso de heroísmo, mas vem depois do Aranhaverso, com suas imagens psicodélicas rodopiantes e jogos de identidade e armadilha de percepção, Homem-Aranha: Longe de Casa possui todas as bases de um filme convencional da Marvel. Não te tira deste mundo. Mas é bom o suficiente para dar um pontapé – ou talvez tudo seja apenas ilusão.

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