It: Capítulo 2 | Crítica

It: Capítulo 2
It: Capítulo 2/Warner/Divulgação
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Pennywise está de volta e as crianças cresceram na parte dois do romance monstruoso de Stephen King, que inspira uma sequência longa demais com temas importantes pouco explorados

Quantas páginas são necessárias para sete crianças derrotar um palhaço assassino? E em quantas horas isso se traduz ao adaptar a história para a tela de cinema? Para os fãs de Stephen King, a resposta sempre parece “nunca é suficiente”. No entanto, vamos retornar à Aristóteles (prometo que será útil). O filósofo dissertou a respeito do ato de bem contar histórias e o mais interessante é que todos os seus apontamentos ainda são relevantes para o modo como nós criamos as nossas histórias modernas. Um de seus pressupostos narrativos é que cada cena da ação narrativa deve ser motivada por uma ação anterior a ela ou ao menos fazer sentido dentro do todo da obra. No caso de It: Capítulo 2, isso foi esquecido e o resultado soa um pouco estranho com cenas encavaladas do clube dos otários, agora adultos, tentando encontrar seus “totens” simplesmente porque …. sim.

Ok, talvez eu esteja me apressando. Mas é que a história contada por King é tão envolvente e repleta de reviravoltas que, ao vermos o resultado da adaptação é um pouco frustante. A produção decidiu dividir o livro em duas partes (oh! novidade em Hollywood!) e para isso optaram por destrinchar uma história contada em flashbacks dos protagonistas já adultos. Com certeza, este é um dos elementos que diminui em muito a qualidade do enredo proposto pelo autor. Sem falar na pressão de realizar uma continuação boa o suficiente, já que a primeira parte foi tão bem aceita pela crítica e pelo público.

Bom, vamos voltar ao início da crítica abordando a questão do tempo de execução do filme. Da saga O Senhor dos Anéis às sequências de Vingadores, o comprimento confere uma espécie de falsa legitimidade ao entretenimento de médio porte, não importa o meio (filme, série de TV, streaming, etc.). Quando publicado pela primeira vez em 1986, It era de longe o livro mais longo de King, e seu peso deu a aparência de significância entre a obra diversa do autor. Os adolescentes que não se incomodavam em ler o esbelto Coração das Trevas de Joseph Conrad na aula de inglês se vangloriavam de terem conquistado o livro de terror por conta própria, inevitavelmente divulgando-o como o romance mais bizarro de King.

Em It: A Coisa – Capítulo 2, as crianças cresceram e seguiram em frente. O medo desapareceu. Eles esqueceram. No entanto, agora é hora de reunir e confrontar o espectro daquelas coisas que mais nos assustaram. Sete adolescentes que se autodenominavam “clube dos otários” e pensavam que haviam vencido Pennywise (Bill Skarsgård), o assassino de crianças sobrenatural com o olhos abertos e sorriso de tubarão.

Vinte e sete anos depois que eles enviaram Pennywise de volta para qualquer dimensão paralela da qual ele “veio”, esses heróis improváveis ​​são chamados a cumprir o juramento de sangue que fizeram na adolescência – um recurso que permite ao filme relançar seu conjunto adolescente como estrelas de cinema mais conhecidas. Do grupo, apenas Mike (agora interpretado por Isaiah Mustafa como adulto) permaneceu em Derry, Maine, trabalhando na biblioteca, onde ele pode ficar obcecado livremente com as origens do monstro e como derrotar a criatura quando ela voltar.

O longa poderia simplesmente ter partido daí, mas em vez disso – e mais interessante -, o diretor, Andy Muschietti retrata os protagonistas, percorrendo o lugar onde cada um deles está quando recebe a ligação urgente de Mike. Richie (Bill Hader) se tornou um comediante de stand-up. O sempre nervoso, Eddie (James Ransone) é natural para uma carreira em avaliação de riscos. Um romancista de sucesso, Bill (James McAvoy, uma escolha curiosa) encontrou trabalho em Hollywood. Não mais a moleca, Beverly (Jessica Chastain) aparentemente trabalha na indústria da moda e acabou se casando com um cara escroto que a agride. Por fim, Ben (Jay Ryan) se juntou para se tornar o bonitão não oficial da gangue, sem deixar vestígios do patinho desajustado (Jeremy Ray Taylor) que conhecíamos antes.

Os adolescentes também passam bastante tempo na tela, arrastando o segundo ato com flashbacks enquanto cada um tenta se lembrar do que aconteceu naquele verão – e são forçados a contar com esses encontros pessoais relacionados a It que eles baniram de suas memórias quando se mudaram de Derry. O jovem Bill (Jaeden Martell) ainda se culpa pela morte de seu irmão, Beverly (Sophia Lillis) acaba tendo que encarar o passado e pôde perceber onde o ciclo que envolve vários homens abusivos em sua vida começou.

Com isso, podemos partir para as coisas problemáticas. (E, aqui começamos com alguns spoilers!) Como costuma acontecer com os fugitivos de cidades pequenas, suas vidas mudaram muito mais do que o lugar que deixaram para trás – embora o filme omita alguns detalhes importantes sobre como Derry se saiu em todos esses anos: nenhuma outra criança morreu durante esse tempo? Não foram cometidos assassinatos? Os esgotos cheiravam apenas a rosas? Privando a audiência de respostas, o diretor Muschietti pula as décadas seguintes, abrindo o “Capítulo Dois” com uma cena horrível, ele retrata um crime de ódio que é verdadeiro no livro e na história de Maine (veja o assassinato de Charlie Howard em 1984), mas confuso no contexto geral do filme. Foi a crueldade deste ataque que trouxe Pennywise de volta? O palhaço de alguma forma causou o assassinato? Ou simplesmente apareceu para dar o golpe final?

É uma cena difícil de se sustentar em um filme que não apresenta tantos assassinatos – certamente menos do que se esperaria, e nenhum tão irritantemente realista quanto este da cena inicial. O que acontece com os autores desse terrível evento? Claramente, as notícias – combinadas com um balão vermelho e as palavras “Come Home” rabiscadas em sangue debaixo da ponte – foram suficientes para convencer Mike de que Pennywise estava de volta. Mas por que, depois de nos impressionar, o filme deixaria esses homofóbicos passarem impunes e ignorados pelo resto do filme?

Muschietti tem um desafio narrativo em mãos e toma decisões estranhas aqui: por um lado, ele precisa compactar todo o enredo que King pode realizar em mais de 1.100 páginas, enquanto isso, por outro lado, ele opta por adiar o confronto final entre Pennywise e as protagonistas o maior tempo possível, resultando em uma narrativa em grande parte massante.

Quase todos os sustos que se seguem vem de alucinações, a maioria deles são claramente produzidos em CGI: monstros digitais minúsculos surgem de biscoitos da sorte em um restaurante chinês; uma estátua de Paul Bunyan se arrasta caricaturalmente atrás de Richie com seu machado gigante; pernas de aranha virtuais brotam da cabeça decapitada de um velho amigo (muitos dos momentos Lovecraftianos estão presentes no longa, praticamente todas as reviravoltas criativas). Passar muito tempo em flashbacks é arriscado, uma vez que o público já sabe que esses personagens não morrem quando crianças.

Além de tudo isso, piadas que referenciam o autor do livro de origem da história (e mesmo a participação de King em uma loja de objetos velhos) são completamente aceitáveis, até nos depararmos com elas exaustivamente em cada esquina no começo, meio e fim de It: Capítulo 2.

O filme tem muito mais baixos do que altos, mas cumpre o papel de um fechamento. O tempo é exaustivo, a produção toca em temas sensíveis demais para serem tratados superficialmente: como crimes homofóbicos, traumas do passado e mesmo a depressão, chegando a dar um tom romântico para uma morte séria. A segunda parte de It acerta muito mais ao adicionar elementos lúdicos do que em tentar suavizar a densidade da história.

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