Ma | Crítica [sem spoilers]

Ma/Blumhouse Production/Reprodução
Ma/Blumhouse Production/Reprodução

Mais um longa da Blumhouse que promete entregar um pós-terror, entretanto se perde em toda sua pretensão.

O longa desenvolve sua narrativa como uma história de vingança e obsessão em um tom lento que direciona o espectador a prestar atenção em todos os detalhes possíveis das ações da protagonista e dos coadjuvantes. As peças vão sendo colocadas em um ritmo lento com a intenção de nos fazer coletá-las e tentar montar um quebra-cabeças que se apresenta maior do que realmente é.

Maggie (Diana Silvers) e sua mãe, Erica (Juliette Lewis), se mudam para uma cidade pequena por conta do divórcio dos pais. Tentando fazer amigos e se encaixar no novo lugar, a garota conhece um grupo de adolescentes da sua escola e, enquanto procuram um adulto para comprar bebidas alcóolicas, Maggie se depara com a, aparentemente, inofensiva Sue Ann (Octavia Spencer) que, não só se prontifica a ajudá-los, mas também oferece um lugar para as festas longe da observação de outros adultos. Porém, as coisas começam a ficar estranhas quando os adolescentes percebem que Sue Ann, ou Ma, tem uma bizarra necessidade em passar mais tempo com eles do que cuidando de sua vida.

Ma/Blumhouse Productions/Reprodução

Com o passar dos acontecimentos, vamos percebendo que o anseio de fazer parte da turma popular é, na verdade, resultado de um trauma enraizado na própria experiência escolar de Sue Ann. O primeiro ato de Ma é bem-sucedido em apresentar as personagens e o conflito principal da trama, mas o desenrolar das situações não oferece substância suficiente para dar conta de todas as questões que pretende abordar.

Embarcando nessa onde ‘pós-terror’ dos filmes produzidos pela Blumhouse, como Corra e Nós, Ma tenta criar uma personagem tridimensional que seja capaz de fazer com que o público oscile entre sentir empatia e repulsa pelos seus atos de violência. No entanto, o novo filme de Tate Taylor abdica de desenvolver o clima de tensão e explorar profundamente a temática do preconceito racial, da misoginia e do bullying, buscando respostas fáceis ou simplesmente colocando nas falas das personagens comentários que se tornam incômodos quando não tem um propósito definido. A responsabilidade em realizar essas críticas é abandonada causando um esvaziamento de discussões relevantes, deixando o filme num meio-termo confuso que não entrega nem uma experiência aflitiva, nem uma narrativa envolvente.

Octavia Spencer é a grande responsável por manter o filme em um limite aceitável para o público. Sue Ann é uma figura complexa, e a atuação de Spencer consegue desenvolver o sentimento de vingança e obsessão por meio de olhares e trejeitos que parecem exercer controle sobre as outras personagens sem nem mesmo precisar de um roteiro muito genial (o que, com certeza, passa longe do filme).

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O restante do elenco é competente dentro dos limites estipulados pela narrativa, porém as motivações não são bem desenvolvidos e acabam resumidas a uma trama adolescente. Nem mesmo a ideia do sadismo desenvolvido pela personagem-título é bem concebida. Ou seja, o elemento mais interessante e que poderia fechar todas as pontas soltas de uma história mal contada, surge de forma abrupta com o simples pretexto de levar o filme ao clímax e, por fim, encerrá-lo.

Quanto a organização das cenas do filme, a montagem de Taylor parece perder a coerência no quesito de causa e efeito entre um acontecimento e outro, por exemplo, um atropelamento a luz do dia não gera consequência alguma. Além disso, a utilização do espaço – crucial para qualquer terror – não tem nenhuma ligação direta com o enredo e a narrativa acaba se afundando em resoluções preguiçosas – como o policial que chega na hora H e acaba facilmente morto.

Por mais que a premissa seja consistente, o longa funciona mais como um drama adolescente do que como terror ou suspense. A dinâmica do grupo é divertida, porém não acrescenta nada de novo ao espectador.

Ma ainda faz referência a um antigo clássico da mitologia grega, ela diz “Vocês acham que sou Medea?” em uma cena com um revólver apontado para um dos jovens, apenas para amedrontá-lo. A referência é despropositada, mas resume bem o espírito do filme que apresenta elementos muito interessantes, mas desperdiça seu potencial com um desfecho bagunçado e incoerente.

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