X-Men: Fênix Negra | Crítica [com alguns spoilers]

Jean Grey
X-Men: Fênix Negra/Fox/Reprodução

Longa encerra a saga dos X-Men de um jeito morno. É uma pena que X-Men: Fênix Negra, filme que encerra a fase atual dos heróis no cinema, entregue um produto muito inferior ao material original

O espetáculo das franquias de super-heróis tentando engajar mulheres pode ser divertido quando não acaba em um insulto, ou simplesmente, estranho. Fênix negra, a 12ª edição da saga dos X-Men, certamente tenta fazer o certo, mas a tensão da tentativa é evidente. A narrativa é controlada pelas mulheres e tem elas como foco, mas possui também algumas ideias esquisitas sobre empoderamento. Por um lado, temos Jessica Chastain interpretando uma criatura de outro mundo que parece abrir um portal para uma outra dimensão e um filme mais bem estruturado. Interpretando Vuk, ela mantém a atenção do público com um movimento de pulso, uma volta da cabeça, uma pausa perfeitamente cronometrada, um olhar estranho, ainda que o roteiro não dê tanta profundidade para a vilã.

Com quase duas décadas de idade, a série dos X-Men mantém sua premissa fundamental intacta: poderosos mutantes que lutam contra um mal maior, além de ter que sobreviver a um mundo previsivelmente cético e violento. Entretanto, com o desfecho da saga se aproximando e com a compra pela Disney, nós esperávamos muito mais de um longa com tantos nomes incríveis no elenco e com uma história espetacular para ser contada.

A Saga da Fênix Negra é, sem sombra de dúvida, a HQ mais emblemática dos X-Men. O novo filme busca concertar os erros cometidos como X-Men 3: O Confronto Final, mas falha.

Em uma missão para salvar astronautas humanos que foram ao espaço e se depararam com uma força que os colocou em perigo, os mutantes se vêm compelidos pelo professor Xavier (James McAvoy) a salvar a tripulação. As coisas saem do controle e Jean Grey (Sophie Turner) acaba tendo seu corpo tomado por uma criatura mística extremamente poderosa que deu origem a toda vida no universo.

Os conflitos da personagem giram em torno da problemática de Jean em lidar com essa nova força que amplificou seus poderes e também liberou algumas memórias que haviam sido escondidas pelo professor quando a garota ainda era criança. Todos esta apresentação ocorre no primeiro ato do longa, mas o que vemos se desenrolar na sequência é uma junção de cenas apressadas e sentimentos mal construídos.

A narrativa de X-Men: Fênix Negra é tão apressada e genérica que enfraquece até os pontos positivos. Simon Kinberg escreveu e dirigiu o longa, mas se perde em não saber que tom dar para a história. Em alguns momentos, ele opta por uma atmosfera leve e descontraída com os adolescentes da escola de mutantes convivendo e se admirando com os feitos dos veteranos. Outras vezes, ele aposta em uma espécie de espetáculo de violência caricata (como em uma cena onde alguns mutantes estão indo matar Jean).

É clara a tentativa em obscurecer a história nos momentos em que Jean está em conflito com seus poderes e em busca de ajuda, mas o clima das ações muda completamente quando a protagonista não está presente. Por isso, o filme acaba sem uma identidade própria bem definida.

Jean Grey e Raven
X-Men: Fênix Negra/Fox/Reprodução
Fênix Negra, Jean Gray.
X-Men: Fênix Negra/Fox/Reprodução

Apesar das personagens de Jennifer Lawrence, Sophie Turner e Jessica Chastain estarem no núcleo do desenvolvimento da trama, os apelos diretos às mulheres são tão embaraçosos quanto no recente Vingadores: Ultimato. Em um ponto do início do filme, Raven (Jennifer) diz ao professor Xavier que ele deveria considerar renomear os X-Men para X-Women porque “as mulheres estão sempre salvando os homens por aqui”. Esta é uma cena difícil, e não apenas porque não conseguimos acreditar no que a personagem da Mística enuncia, mas porque nem mesmo ela parece acreditar no que está dizendo.

Enquanto Kinberg tenta dar esse “giro feminista” para a história de Jean, Magneto (Michael Fassbender) e Professor Xavier têm suas narrativas consolidadas em desfecho coerente, muito diferente de todas as personagens femininas que nos foram apresentadas até agora. Mais uma vez, a morte de uma figura feminina serve para a progressão de personagens masculinas. Assim como a morte da Viúva Negra em Vingadores serviu para reanimar o proposito do Gavião Arqueiro, de Hulk e muitos outros, a morte da Mística foi usada como catalisador para progressão narrativa de Fera e Magneto.

Jean e a vilã
X-Men: Fênix Negra/Fox/Reprodução

O novo filme apresenta novamente um elenco jovem e desigual que desliza nas atuações ao compartilhar as cenas com os atores mais experientes. Isso fica evidente com Michael Fassbender (como Magneto, um papel originado por Ian McKellen) e James McAvoy (como Professor X, anteriormente interpretado por Patrick Stewart). Da mesma forma, as atuações de Sophie Turner, Jessica Chastain, Jennifer Lawrence se mostram muito superiores quando contracenam com Kodi Smit-McPhee (Noturno) ou Alexandra Shipp (Tempestade).

Um dos pontos positivos de X-Men: Fênix Negra são as cenas grandiosas e de batalha. Na maioria das vezes, Kinberg apenas move as personagens de um ponto A para o ponto B, pausando para pequenas comoções antes da próxima explosão ou para a utilização do slow-motion. No entanto, o caos é coerente e executado com efeitos especiais limpos e nítidos.

Com uma trama que se tornou clássica e um elenco com tanto potencial (se utilizado com uma boa direção), é uma pena que X-Men: Fênix Negra, filme que encerra a fase atual dos heróis no cinema, entregue um produto muito inferior ao material original.

Ao assistir o filme é difícil nos importar com o que vai acontecer em tela. Por mais cativante e intensa que seja a presenta de Turner, as cenas frenéticas e os acontecimentos encavalados não nos permitem sentir o que ela sente. A dor, a perda, a solidão, a culpa, todos esses são sentimentos estão lá, mas não há identificação, não há identidade para eles e, por isso, não soam verdadeiros ao espectador. É uma pena.

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