Euphoria | Crítica 1ª temporada

Euphoria crítica 1ª temporada
Euphoria/HBO/Divulgação

O primeiro drama teen da HBO é um passeio selvagem e inquietante

O começo da Euphoria parece um teste.

“Eu estava feliz e contente, flutuando na minha piscina primordial particular …”, entoa uma voz inexpressiva enquanto um feto pulsa no “colo do útero cruel” de sua mãe, antes de cortar para notícia real do desastre do 11 de setembro. A voz, pertencente à adolescente descontente Rue (Zendaya), revela que o ataque terrorista aconteceu três dias antes de ela nascer, a implicação é que o desastre a seguiu a vida toda e que ela cresceu em um momento em que todos ao seu redor estavam se preparando para o próximo atentado terrorista. A série começa com uma narração de como a protagonista chegou ao ponto em que a conhecemos, sofrendo com a morte de seu pai e viciada em opiáceos após uma overdose quase fatal, parece que o escritor/diretor Sam Levinson se inspirou na série original israelense,Trainspotting, “mas estrelando uma garota adolescente?”, disse o criador e nos levou à loucura. A estreia nos EUA foi tão caótica e agressiva que seria completamente compreensível se os telespectadores se desligassem apenas para evitar o estresse de tudo isso.

Mas isso seria uma vergonha. Os episódios são muito mais focados e confiantes em seu estilo extravagante de cores neon e cortes abruptos que, não necessariamente, indicam uma temporalidade linear para os acontecimentos da narrativa. Levinson aprende como usar a névoa desorientadora de viver entre viagens de drogas e sobriedade severa para efeito afiado e estimulante. Se a estréia é um desafio para o público permanecer, o resto da série busca descobrir a verdade por trás das fachadas de cada personagem. Pode começar como “Trainspotting”, mas se torna um retrato da era de 2019 para a juventude.

Também é notável que Euphoria é a primeira incursão da HBO no drama teen, e enquanto o gênero definitivamente ficou mais obscuro, explícito e até mais violento nos últimos anos (veja: Riverdale, Pretty Little Liars), a versão da HBO ainda é surpreendente em seu entusiasmo para abraçar diversos e complexos elementos que rondam a adolescência em nosso tempo, desde o fácil acesso à relações (amorosas, de amizade e casuais) até a construção da identidade e autoestima com base nessas relações. A série ousa também em discutir temáticas que ainda são consideradas tabu por grande parte da sociedade, como gênero e sexualidade. (É francamente loucura ver um programa a cabo premium, sobre adolescentes ou não, imediatamente mostrar nudez masculina mais explícita do que qualquer outra série da HBO).

Não é uma coincidência que Euphoria fica melhor conforme se aprofunda em seu elenco de adolescentes entediados, irritados, confusos e apaixonados. Temos Kat (Barbie Ferreira), cuja insegurança e falta de experiência sexual fazem dela uma piada na escola e a inspiram a buscar relacionamentos mais gratificantes online. Nate (Jacob Elordi), um atleta bonito que tomou as piores lições de seu pai, que term vários problemas a respeito de sua sexualidade (um muito inquietante Eric Dane), o garoto mal consegue segurar sua própria raiva e impedir que ela transborde, especialmente quanto à sua namorada Maddie (Alexa Demie). Temos também a melhor amiga de Maddie, Cassie (Sydney Sweeney), uma pessoa que agrada rapidamente e aprende rapidamente que seus colegas de classe valorizam e desdenham sua sexualidade.

Euphoria 1ª temporada crítica
Euphoria/HBO/Divulgação

E, é claro, temos Rue, cujo problema com drogas não é resolvido no final de um único episódio. Na verdade, ela encontra vários obstáculos no caminho da sobriedade. A série nunca nos permite esquecer que ela é uma viciada, cujas escolhas são ditadas pelas drogas e pelo turbilhão de sentimentos que ela ainda está aprendendo a entender e lidar, o que muitas vezes torna a perspectiva dela muito difícil de se viver, mesmo que seja apenas uma hora de cada vez. É um papel complicado e arriscado para Zendaya, que surgiu na Disney Channel e conta com uma base de fãs jovens que, sem dúvida, será impactada por esse programa. Mas ela ergue o olhar de Rue para as espantosas e dolorosas fendas de luz que espreitam seu cotidiano e que diversas vezes é de tirar o fôlego.

Isso se aplica especialmente quando Rue sente a dor de decepcionar sua irmãzinha (Storm Reid de “A Wrinkle in Time”) ou quando ela se aproxima de Jules (Hunter Schafer), uma garota nova e intrigante cuja presença inclina o mundo suburbano de Euphoria sem culpa. Jules é uma garota trans que adora rosa e roupas que parecem arrancadas das páginas de uma revista de moda. Ela é romântica e intensa em todos seus movimentos, mas suas decisões despreocupadas e encontros casuais com homens muito mais velhos dão o tom do risco que se corre ao buscar excessivamente por coisas nenhuma. Interpretada com facilidade encantadora por Schafer, o coração aberto de Jules se torna uma inspiração surpreendente para aqueles que estão ao seu redor – acima de tudo, Rue. A maneira como Levinson acompanha a perspectiva cambiante de Rue, particularmente em torno de Jules, cria algumas sequências francamente lindas. Um dos pontos altos da personagem é, com certeza, o fato de seu desenvolvimento não girar em torno de seu gênero ou sua sexualidade, mas, sim, por se tratar de uma garota adolescente lidando com uma vida adolescente, além de ser transgênero e estar entendendo sua pansexualidade. A própria Schafer comentou como foi emocionante interpretar alguém tão bem resolvida com essas questões que, no final das contas, o que resta são elementos próprios de um período de descobertas.

Este programa não é fácil nem agradável. É muitas vezes ousado e tem uma narrativa muito complexa, recusando-se desafiadoramente a amarrar as pontas soltas ou deixar que seus personagens sigam caminhos fáceis. Mas assim como os adolescentes que retrata com franqueza surpreendente, uma vez que você supera suas tentativas imediatas de manter o público à distância, Euphoria tem uma atração inegável que a torna intrigante demais para ser ignorada.

Euphoria foi renovada para a segunda temporada na HBO.

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