Jane The Virgin | Imigração, feminismo e narrativa

Jane The Virgin: imigração, feminismo e narrativa
Jane The Virgin/CW/Divulgação

“É raro vermos na televisão três mulheres latinas que estão no comando de suas próprias vidas”, comentou Ivonne Coll, atriz que interpreta Alba, no especial de retrospectiva que precedeu o episódio final de Jane The Virgin.

(Alerta de Spoiler da temporada final de Jane The Virgin!)

A quinta e última temporada de Jane the Virgin começou com o bombástico retorno de Michael (Brett Dier), voltando dos mortos, no momento em que ela seguia em frente com Rafael (Justin Baldoni). Mas Michael – que agora passava por Jason – se mudou de Miami, deixando Jane (Gina Rodriguez) para que ela se concentrasse em escrever outro livro e tentasse fazer as coisas funcionarem com Rafael. Nos episódios finais da série, a criadora e showrunner Jennie Snyder Urman contou ao podcast “TV Take” da Variety, que a intenção do fechamento da história sempre foi conceder um final feliz para as Villanuevas.

No final, Xo (Andrea Navedo) e Ro (Jaime Camil) estão se preparando para ir embora em um momento muito importante para família: Jane e Rafael estão se preparando para se casar. No entanto, enquanto o casamento fala dos grandes temas românticos das telenovelas, Urman queria garantir que ela equilibrasse o episódio final dizendo adeus à família original em que o programa estava centrado: as três gerações de mulheres Villanueva, Alba, Xo e Jane.

“Essas três mulheres moravam a poucos quarteirões uma da outra e estão sempre lá, sentadas no balanço da varanda, e estão passando para a próxima fase de suas vidas”, diz Urman. “É sobre essa família que a série foi criada, que é como a família que é criada entre as pessoas que estão fazendo o show e as pessoas que estão assistindo o programa e essa experiência compartilhada também. Trata-se de homenagear essa família grande e rebelde que todos criamos e depois dizer adeus a eles. “

Jane the Virgin foi elogiado, e com razão, por ter levado o gênero da telenovela ao público de língua inglesa. É até possível que seja parcialmente responsável pela popularidade crescente de programas em língua espanhola entre o público anglófono nos últimos anos. Mas, apesar de seu histrionismo inegável, a série – uma adaptação aproximada da telenovela venezuelana Juana, la virgen – satirizou as telenovelas latino-americanas. Ela misturou realismo e drama, oferecendo aos espectadores personagens com quem podiam se identificar e por quem podiam torcer. Todos os elementos se combinaram para formar uma série simplesmente explosiva.

Jane se virou e fez o que foi preciso. Ela lutou para poder contar suas histórias. Trabalhou turnos intermináveis no The Marbella, ao mesmo tempo em que procurava uma agente literária e editoras que quisessem publicar seus livros. Assim, quando ela fecha um contrato enorme para um livro no penúltimo episódio da série, depois de nem sequer se sentir à vontade em dizer que era escritora no início da série, você percebe o quanto suas realizações são merecidas.

Imigração, feminismo e narrativa…

Sobretudo, a série toca em questões muito sensíveis para o momento histórico no qual estamos vivendo: a questão dos imigrantes nos Estados Unidos, principalmente os latino-americanos e, encontramos em Alba, uma representante à altura. No capítulo sessenta e um, Alba está contabilizando os artigos comprados por uma freguesa na loja de presentes do Marbella, enquanto sua colega ajuda uma freguesa de língua espanhola a encontrar uma loção. Antes de sair da loja, a freguesa de Alba fala à outra mulher: “Estamos nos Estados Unidos. Você devia aprender a falar inglês”. Curiosamente, a abuella falou quase exclusivamente em espanhol durante toda a série, mesmo o seu público sendo majoritariamente norte-americano. Alba se reconhece como cidadã estadunidense antes mesmo de um documento atestar isso. Sua família e sua vida estão neste outro país e esta é a lição que a personagem nos dá.

Jane The Virgin nunca exitou em mostrar à que veio, abordando temas como multiculturalismo, xenofobia, sexo, aborto, libertação sexual e tudo isso ao mesmo tempo em que encaixava a trama para torná-la instigante e relevante. Não podemos esquecer de Petra (Yael Grobglas), que começou com ares de vilã, mas aos poucos foi nos cativando com todos seus altos e baixos.

A experiência de criar esta história foi uma que Urman acredita que “mudou tudo” para ela como pessoa, bem como em sua carreira. Para o público, Jane nos ensinou a confiar em nossas entranhas de maneira grandiosa, nos fez acreditar no poder da narrativa e até mesmo pôde influenciar o modo como nos relacionamos com aquilo que assistimos e a compreensão do que significa ser representado e ver a si mesmo espalhado em um personagem.

“A série trata de muitos aspectos interessantes do significado de ser uma heroína”, disse Baldoni no especial de flashbacks. “Jane the Virgin pega uma pessoa comum e a converte em heroína.” Por isso, a teremos ela sempre por perto.

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